quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

WATTS

Que as maiores montadoras americanas estão “a perigo” todo mundo está cansado de saber. As três maiores montadoras – General Motors, Ford e Chrysler - negociam juntas no Congresso um pacote de ajuda de $25(!) bilhões de dólares, sendo que a GM acena com a possibilidade de uma recuperação judicial caso não seja socorrida pelo governo. Mas já há nos EUA uma corrente de analistas econômicos que defende que o governo abandone-as à própria sorte. Como exemplo, citam as siderúrgicas americanas que foram seguidamente socorridas pelo governo americano – na década de 70, em 1984 e em 1999 – mas que mesmo assim não conseguiram fugir da série de falências que se iniciaram em 2001. Curiosamente, essa atitude, considerada trágica por muitos, foi o que salvou essas mesmas empresas. Foram compradas, completamente reestruturadas, tiveram seus contratos trabalhistas renegociados e hoje estão bem, principalmente se comparadas às montadoras.
Naturalmente que as montadoras lutam contra essa possibilidade e a principal arma da GM para convencer o Congresso americano a ajudá-la tem sido o Volt, carro híbrido que pode ser carregado numa tomada elétrica. Diz a montadora que o carro representa a sua visão do futuro. O Volt não é o primeiro carro elétrico da GM. O modelo que chegou mais perto da realidade foi o EV1. Lançado em 1996, o carro era alugado a clientes na Califórnia. Os usuários adoraram o carro, mas inexplicavelmente a empresa o tirou de produção três anos mais tarde.
Analisando o caso do abandonado EV1, lembrando do nosso famoso apagão e pensando que o barril de petróleo recentemente passou de $170 para $50, responda sinceramente: Essa proposta da GM não deixa uma “ligeira” desconfiança no ar?

(reprodução New York Times)

4 comentários:

JC disse...

complicada essa parada aí...

AM disse...

Sobre o EV1, sugiro garimpar nas locadoras o documentário "Quem matou o carro elétrico", conta a estória interessante do programa de carros eletricos que a California lancou e deram um jeito de acabar.

Muito intessante.

Mário César disse...

Realmente o assunto é bem polêmico...Existe uma enorme chance de haver sério colapso no mercado norte-americano,e parece que eles não demonstram muita preocupação...
O que salvaria as montadoras seria uma séria análise do que eles produzem,e colocar seus carros para combater os asiáticos e europeus no mesmo patamar,coisa que eles tentam há mais de trinta anos,e não conseguem fazer...

Rodrigo Romão disse...

Essa crise da GM aí é complicadíssima. É que a GM e a Ford são as que nós mais conhecemos em termos de mercado, mas quem está mais ferrada nessa crise é a Chrysler. Nem os americanos gostam da Chrysler. Reclamam de carros muito mal-feitos, mal-projetados e barulhentos. Eu, por curiosidade, resolvi entrar no site da Chrysler e da Dodge, pra saber se realmente não existe um carro bom na linha de produção.
Da Chrysler (chrysler.com), só presta o 300C. A Dodge tá melhorzinha ainda, pq tem o Challenger, Charger, Viper e Ram. De resto..

Mas não dá pra deixar falir. Cara, as 3 grandes são responsáveis por 4 milhões de empregos diretos/indiretos. Se elas falirem, no primeiro ano, isto representará uma queda de US$ 96 bi em arrecadação fiscal, chegando a US$ 274 bi em 3 anos. é muita coisa.

A GM anunciou que vai fechar mais de 4 mil concessionárias, tava ouvindo no rádio hoje.. Além disso, já puseram a Saturn e a Opel à venda. De quebra, a Vauxhall já está sendo negociada, aparentemente.. Eles também planejam uma total reestruturação de modelos, diminuindo o canibalismo entre as marcas (também, pudera - a GM tem o Cobalt, a Pontiac tem o G8 - que usa a mesma plataforma que o Cobalt, mesmo motor e tudo, só que a imprensa acha o Pontiac melhor.). Parece que a Pontiac vai virar uma marca mais premium, entre a GM e a Cadillac.

Fora o sindicato deles, que desde 2001 vem enterrando as firmas. Os funcionários da United Auto Workers chegam a ganhar quase 70% a mais, meu pai tava falando ontem. Além disso, o seguro-desemprego pago pelas montadoras chega a durar 3 anos... Absurdo, né?

Pra mim, tem que salvar. Porra, na hora de injetar 850 bi em má gestão financeira, em algo que não vira nem metade dos empregos que uma indústria vira, aí tá todo mundo a favor. Na hora de salvar o que realmente traz empregos, aí o Congresso está dividido? Faça me o favor... Lobbyzinho fdp esse